Integração de novas ações para a biodiversidade brasileira
No Seminário de Apresentação e Integração do PPBio, pesquisadores discutiram novas idéias para promover os avanços na pesquisa em biodiversidade.
Visualizar, integrar, avançar. Foi com esse pensamento que pesquisadores do Norte e Nordeste se reuniram no Seminário de Apresentação e Integração do Programa de Pesquisa em Biodiversidade – PPBio. Realizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, em Manaus, nos dias 24 e 25 de agosto, o seminário foi uma ferramenta para promover a integração entre as três redes do PPBio no Brasil: a rede de pesquisa do Semi-Árido, da Amazônia Oriental e Amazônia Ocidental
| Martins, Magnusson, Maria Luiza, Pascholati e Fontes, na mesa de abertura do evento.(Foto: Paola Caracciolo) |
Para mediar os debates, esteve presente a coordenadora geral de gestão de ecossistemas e biodiversidade do Ministério da Ciência e Tecnologia, Maria Luiza Braz Alves, e como consultor externo, Geraldo Fernandes, professor da Universidade Federal de Minas Gerais. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq foi representando por Eliana Fontes.
Biodiversidade no Semi-árido
A primeira das redes a se apresentar foi a da região do Semi-Árido, que compreende 9 Estados brasileiros, onde residem 10% da população do país. O coordenador da Rede PPBio Semi-árido, Dr. Luís Fernando Pascholati (UFES), apresentou as principais características da região, e os desafios e as conquistas da rede de pesquisa, que conseguiu ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade local, aumentar a quantidade de recursos humanos especializados e formar uma rede institucional de pesquisa em biodiversidade no semi-árido.
Além de tópicos relativos a organização da Rede do Semi-Árido, foram também apresentados os projetos sobre bioprospecção e preservação de microorganismos, diversidade de fungos vertebrados e invertebrados, conservação da fauna silvestre, e também estratégias para a conservação de plantas.
A rede do semi-árido expandiu consideravelmente as pesquisas em biodiversidade e as coleções científicas, desde a aprovação do projeto no edital 060/2009.
Durante a sua exposição, Dr. Flávio França, coordenador do projeto “Flora Criptogâmica e Fanerogâmica do Semi-árido”, que trabalha com pesquisas no bioma Caatinga, defendeu maior integração entre as redes. “Nós trabalhamos muito isolados da Amazônia, então queremos conhecer e integrar os nossos métodos e as nossas ações”, afirmou França.
Rede de pesquisa da Amazônia Ocidental
| Apresentação da Rede de Pesquisa Semiárido, por Luís Fernando Pascholati.(Foto: Paola Caracciolo) |
A rede da Amazônia Ocidental apresentou projetos de pesquisa em sete localidades: diversidade biológica na região do Médio Solimões; biodiversidade na Amazônia Ocidental Rondoniense; bioprospecção, conhecimento da biodiversidade na Amazônia Meridional,inventários biológicos na Amazônia Ocidental, Roraima e por fim o projeto Inventário e Monitoramento da biodiversidade no Leste do Estado do Acre.
Após a apresentação dos projetos de pesquisa, houve um debate sobre como as dificuldades apresentadas pelos coordenadores dos projetos poderiam ser superadas. A principal questão a necessidade do aumento de cotas para bolsas de iniciação científica e desenvolvimento tecnológico. A maioria das sub-redes ainda é carente de formação de recursos humanos para fortalecer a coleta de dados e publicações científicas.
Amazônia Oriental: inventários, coleções e NBGI
No segundo dia do seminário foi apresentada a Rede do PPBio Amazônia Oriental, coordenada pela Dra. Marlúcia Martins (Museu Paraense Emílio Goeldi – MPEG). O principal objetivo da rede PPBio na Amazônia Oriental é desenvolver e disseminar a pesquisa e apoiar as ações de conservação da biodiversidade na região, por meio do fortalecimento das coleções, organização de expedição para coleta de espécies e formação de recursos humanos.
Entre as dificuldades da região da Amazônia oriental, Dra. Marlucia Martins pontuou a existência de altas taxa de desmatamento e dos conflitos fundiários. Para a coordenadora da rede, atualmente a maior dificuldade é a curta duração de contratos temporários para o núcleo de biogeoinformatica e o apoio técnico à coordenação da rede.
Em sua exposição, Martins ressaltou que os núcleos regionais são fundamentais para realizar a integração entre as diversas localidades e pluralidades da região amazônica. Foram apresentados os projetos de pesquisa de cada núcleo, suas realizações e os desafios da pesquisa em biodiversidade na região.
A Amazônia Oriental apresentou projetos de pesquisa de seis núcleos regionais: Maranhão (Inventário da Biota da Amazônia Maranhense na Reserva Biológica do Gurupi), Mato-Grosso (Inventário, Conservação e Valoração de Alternativas Sustentáveis do Uso da Biodiversidade da Amazônia Meridional), Leste do Pará (Inventário da biodiversidade e qualificação das coleções biológicas do Núcleo Regional do Leste Paraense do Programa de Pesquisa em Biodiversidade – Amazônia Oriental).
A apresentação incluiu o núcleo do Oeste do Pará (Diagnóstico e Conservação da Biodiversidade em áreas naturais e manejadas da Floresta Nacional do Tapajós, área de influência da BR-163, Estado do Pará), Tocantins (Projeto Amazônia tocantinense: prioridades e objetivos do Núcleo Tocantins para o reconhecimento da sua biodiversidade) e Amapá (Estudo da Biota da Floresta Nacional e Aprimoramento das Coleções Biológicas do Amapá). Os expositores enfatizaram a importância de inventários e coleções científicas para todos os núcleos.
Além dos resultados de pesquisa, as redes apresentaram o que obtiveram no campo da informática aplicada. Laurindo Campos, coordenador do NBGI da Amazônia Ocidental/INPA, enfatizou a importância dos Núcleos de Biogeoinformática para a formação de pessoal especializado e a institucionalização dos NBGIs.
A Amazônia Oriental ressaltou os avanços do Núcleo de Biogeoinformática (NBGI): desenvolvimento do banco de dados para o controle do que é coletado, e a plataforma CoBio, que tem como objetivo facilitar o intercambio de material entre as coleções científicas dos diferentes núcleos regionais e entre as coleções didáticas das universidades associadas à rede. As coleções zoológicas da rede estão sendo gerenciadas pela plataforma Specify e as coleções botânicas pelo BRHAMS.
Conclusões e Perspectivas
| Equipe de pesquisadores reunidos ao final do evento. (Foto: Paola Caracciolo) |
Os coordenadores também discutiram a necessidade de engajamento em mais editais de fomento à pesquisa para conseguir recursos a serem aplicados na formação de recursos humanos e na aquisição de materiais para expedições. Outro ponto importante foi a sugestão da criação de um portal para o PPBio, instrumento que poderá favorecer uma maior integração entre as redes.
Dr. Alexandre Bonaldo, coordenador do núcleo do Leste Paraense, lembrou que parte importante da integração acontece por meio do intercambio de coleções entre os núcleos de todas as Redes A troca de material científico pode evitar que as coleções sejam perdidas, caso ocorra um acidente.
Marlúcia Martins ressaltou que o Seminário de Integração do PPBio foi de grande importância para a rede PPBio Amazônia Oriental. “A gente conseguiu dar visibilidade aos núcleos, porque geralmente os núcleos ficam muito apagados dentro da rede, e esse seminário colocou a importância, o papel de cada núcleo, o que estão fazendo, a importância do que está sendo feito para o contexto local e estadual”, afirma a coordenadora da Rede.
As conclusões do Seminário foram positivas diante do contexto atual. Os pesquisadores de todas as redes puderam ver e comparar o andamento das pesquisas em biodiversidade em cada região, bem como estimular uns aos outros para avançar a fim de conhecer cada vez mais a biodiversidade de cada região. Como afirma o coordenador do PPBio Amazônia Ocidental, William Magnusson, “o efeito do PPBio” só vai ser sentido quando nós tivermos as mesmas informações que estão vindo de todas as partes do país.”
As redes mostraram grandes avanços, todavia, ainda são necessários maiores investimentos na organização dos núcleos de pesquisa, aquisição de verbas, divulgação científica, integração de dados, formação e fixação de recursos humanos. Porém, a cada seminário realizado, é possível para as redes compartilhar informações importantes para os estudos em biodiversidade. Por meio dessa integração, é possível fazer projeções para o futuro, avaliar o desempenho da gestão das várias redes e estimular a continuidade dos projetos. Desse modo, o PPBio contribui mais nas regiões em que atua, apontando novos caminhos para a pesquisa científica.
Texto: Paola Caracciolo